A LVV não publica hectares. Os valores são os que a Google confirmou à Yle; as árvores são estimativas do Guardian.
O Guardian estima 250 000 árvores abatidas em Muhos e 150 000 em Otanmäki, cerca de 400 000. São estimativas, não contagens oficiais.
Em 6 de outubro de 2026, a autoridade finlandesa de licenciamento e supervisão (LVV) mandou a Tuike Finland Oy, empresa da Google, suspender os trabalhos preparatórios de dois centros de dados, um em Muhos e outro em Kajaani (Otanmäki), até estar concluída a avaliação de impacte ambiental de cada um. Já tinham sido abatidas árvores, retirado o solo superficial e alterados valas e aquedutos.
A LVV não publica hectares. Os valores são os que a Google confirmou à Yle; as árvores são estimativas do Guardian.
O Guardian estima 250 000 árvores abatidas em Muhos e 150 000 em Otanmäki, cerca de 400 000. São estimativas, não contagens oficiais.
O prazo de 23 de outubro para parar as obras já passou. A suspensão vale até a avaliação de impacte de cada projeto estar concluída, e não cobre estudos, medições nem trabalhos de impacte pequeno e reversível.
Em setembro de 2026, a Google anunciou 13 mil milhões de euros em infraestrutura digital na Finlândia, o maior investimento seu na Europa, e um contrato de 22 anos para até 50% da produção da central nuclear de Loviisa.
Segundo a LVV, nos dois locais foram abatidas árvores, retirado o solo superficial, abertas estradas de obra e zonas de armazenamento, e alterados valas, aquedutos e a drenagem de águas pluviais.
A avaliação de impacte ambiental de cada projeto continua em curso e o relatório é esperado ainda em 2026. A LVV considera que o trabalho já feito altera o ambiente e é precisamente o que a avaliação existe para ponderar antes.
A Google disse que cumprirá a ordem. O diretor da empresa na Finlândia pediu desculpa e afirmou ter agido com a melhor compreensão que tinha da lei. A empresa prevê plantar árvores em 130 hectares em Muhos. Se a ordem não for cumprida, a LVV pondera medidas coercivas. Segundo o Iltalehti, citado pela Yle, a polícia abriu uma investigação preliminar ao trabalho em Muhos, depois do pedido de um particular, e avalia se há indícios de crime.
Segundo a Associação Finlandesa para a Conservação da Natureza, o abate permanente de 200 hectares ou mais exige uma avaliação de impacte ambiental. Em Muhos foram abatidos cerca de 330 hectares, e a avaliação não estava feita.
A LVV refere valas, aquedutos e drenagem de águas pluviais alterados. A presidente da associação teme que o solo sulfatado ácido do local liberte sulfatos para o rio Oulujoki. É um receio dela, não uma medição.
Os levantamentos de espécies fazem parte da avaliação em curso. A revista Suomen Luonto diz, por mapas e satélite, que foram destruídas áreas que o plano urbano recomendava proteger pela biodiversidade; não está confirmado.
Em Hamina, a Yle noticiou a 20 de outubro que uma empresa da Google abateu cerca de 1,3 hectares sem licença, destruindo corredores, zonas de alimentação e árvores de ninho do esquilo-voador, espécie estritamente protegida na União Europeia.
Uma moradora de Otanmäki disse ao Guardian que «os lobos entraram na aldeia porque os animais todos saíram da floresta». É um testemunho, sem dados de populações nem verificação independente.
Não encontrámos estimativa publicada do carbono perdido, da qualidade da água nem das espécies afetadas. Calculá-los com médias seria inventar: ficam à espera das avaliações de impacte.
A avaliação de impacte ambiental serve para comparar alternativas e efeitos antes de a floresta, o solo e a água serem alterados. Cortar primeiro e avaliar depois inverte essa ordem, e plantar árvores mais tarde não devolve de imediato as funções da floresta que já não existe.